RELATÓRIO
ANUAL
2018

Dinâmica
Do Setor
Bancário

A forte solvência externa do País vem funcionando como importante amortecedor em relação aos eventuais choques negativos vindos da economia internacional

Ícone de apoio
cenário econômico

Em 2018, o ritmo de recuperação econômica ficou aquém das expectativas para o ano. Vários fatores pesaram para isso, como o aumento da aversão ao risco em relação aos ativos de países emergentes diante da elevação mais rápida que a esperada dos juros nos Estados Unidos; a greve de dos caminhoneiros; e a incerteza em torno do resultado das eleições presidenciais.

Apesar das dificuldades, a economia brasileira registrou crescimento moderado do PIB, na faixa de 1,2%. A inflação permaneceu sob controle e encerrou 2018 em 3,75%, segundo ano seguido abaixo da meta, de 4,5%. Isso permitiu que o Bacen reduzisse ainda mais a taxa básica de juros, a Selic, de 7% a.a. para 6,5% a.a., menor nível da história.

As contas externas seguiram ajustadas, com baixo déficit em conta-corrente (-0,77% do PIB), que foi novamente financiado com tranquilidade pelo ingresso de investimento estrangeiro direto (4,7% do PIB). Além disso, o País manteve seu elevado nível de reservas internacionais, de cerca de US$ 375 bilhões.

Registra-se que a forte solvência externa do País vem funcionando como importante amortecedor em relação aos eventuais choques negativos vindos da economia internacional.

Cabe destacar também o desempenho do mercado de crédito, que viu o saldo total das operações crescer 5,5% no ano, depois de dois anos seguidos de retração.

A retomada do mercado de crédito refletiu também nas propostas desenvolvidas pela FEBRABAN em linha com a agenda BC+ do Banco Central. Algumas delas tiveram avanços importantes em 2018, como a redução das alíquotas dos depósitos compulsórios (depósitos à vista de 40% para 21%, poupança de 24,5% para 20% e depósitos a prazo de 34,0% para 33%).

As finanças públicas seguem como o grande desafio do País. O governo federal registrou déficit primário de R$ 121,0 bilhões, quinto ano seguido de resultado negativo, embora melhor que o desempenho registrado em 2017, quando o déficit primário foi de R$ 130,5 bilhões. Em decorrência, a dívida bruta atingiu novo recorde, ficando em 76,7% do PIB, reforçando a necessidade da implementação urgente de reformas estruturais que revertam essa trajetória de crescimento, assegurando a solvência do setor público.

Por fim, diante de uma recuperação ainda bastante modesta, o mercado de trabalho segue com números negativos. Na média de 2018, a população desocupada foi de 12,8 milhões, que se somam aos mais de 14 milhões subocupados ou desalentados.

A aprovação das reformas, especialmente da Previdência Social, é imperativa para alterar tal quadro, bem como para reduzir o risco de insolvência fiscal, acelerar o crescimento econômico e diminuir o elevado número de desemprego.

Para 2019, as expectativas são relativamente otimistas. O consenso do mercado aponta para um crescimento do PIB de 1,1%, ainda aquém das necessidades do País.

A inflação deve continuar bem-comportada, devendo encerrar pelo terceiro ano consecutivo abaixo da meta (4,25%). Nesse contexto, a Selic deve ficar em 6,5% a.a. ao longo de boa parte do ano.

As contas externas não devem ser fator de surpresa, o superávit comercial continuará robusto, em torno de US$ 50 bilhões, o déficit em conta-corrente seguirá contido, e o ingresso de investimento estrangeiro compensará com folga o déficit externo.

O mercado de crédito prosseguirá seu processo de recuperação, especialmente no segmento livre. O Bacen projeta crescimento de 6% para o saldo total, enquanto o crédito livre deve avançar em torno de 10%.

Por fim, os dois maiores desafios, as contas públicas e o emprego, continuarão sendo um obstáculo ao crescimento. Há a promessa do governo de zerar o déficit público, mas isso só seria possível na hipótese de um ingresso bastante volumoso de receitas extraordinárias, seja com privatizações, concessões, seja com a cessão onerosa, além do controle rígido das despesas.

Vale lembrar que a economia prevista com a reforma da Previdência Social levará tempo para se concretizar, a depender da regra de transição a ser adotada.

Em relação ao emprego, mesmo com a aceleração da recuperação econômica, a queda da taxa de desemprego será lenta. O estoque de desempregados é muito grande, sem contar que todo ano cerca de um milhão de pessoas entram no mercado de trabalho. Portanto, uma taxa abaixo de dois dígitos só deverá ser alcançada a partir de 2021.

O saldo total das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) cresceu 5,5% em 2018, depois de dois anos seguidos de retração.

No segmento livre, o desempenho foi ainda melhor, com alta de 11,2% tanto na carteira Pessoa Física – PF (+11,3%), quanto Pessoa Jurídica – PJ (+11,2%).

Por outro lado, o saldo do segmento direcionado seguiu em queda (-0,6%), refletindo a substituição de fontes de funding pelas empresas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o mercado de capitais e a nova política que visa reduzir o tamanho da instituição.

A ampliação de crédito para pequenas e médias empresas foi considerada tema prioritário pelo Comitê Executivo da FEBRABAN. Algumas medidas priorizadas para o segmento já foram iniciadas, como o aumento no acesso a informações detidas por entidades públicas.

  • Ícone representando cédulas.
    5,5%
    de crescimento no saldo das operações de crédito do SFN
CRÉDITO RURAL

No ano agrícola 2017–2018 (entre 1/7/2017 e 30/6/2018), segundo dados do Banco Central, o volume financeiro de operações de crédito rural foi de R$ 171,4 bilhões, aumento de 11,7% em relação à safra anterior (R$ 153,4 bilhões). A maior parte destinou-se a operações de custeio (53,7%) e de investimento (24,6%).

Na distribuição do crédito rural contratado por fontes de recursos, ressalta-se o crescimento dos volumes oriundos da Letra de Crédito do Agronegócio (LCA). Na safra 2017–2018, esse título passou a representar 12,1% das operações contratadas (R$ 20,8 bilhões), ante 11,2% no período anterior (R$ 17,1 bilhões).

As principais fontes no período foram as provenientes de recursos obrigatórios (com tetos de taxas fixados pelo governo) e de poupança rural, ambas com participação de 31% cada. O saldo total da carteira de crédito rural em julho de 2018 foi de R$ 253,4 bilhões, ante R$ 245,1 bilhões em julho de 2017.

Ressalta-se que, em 2018, foram publicadas a Resolução CMN 4.641, que instituiu novas regras para a fiscalização de operações de crédito rural, e a Resolução CMN 4.669, que reduziu o percentual de exigibilidade em recursos obrigatórios provenientes do compulsório de depósitos à vista, de 34% para 30% a partir da safra 2018–2019.

  • Ícone representando cédulas.
    11,7%
    de aumento no volume financeiro de crédito rural

Ao longo de 2018, em linha com o ciclo da política monetária e a redução da Selic, a taxa média de juros das operações de crédito ficou em 23,3% a.a., com recuo de 2,4 p.p. ante ao ano anterior.

Houve redução de 4,7 p.p. no segmento de recursos livres (35,6% a.a.) e de 1,1 p.p. nas operações com recursos direcionados (8% a.a.).

O spread total seguiu a mesma trajetória de queda: 1,9 p.p. (17% a.a.), com declínio de 4,1 p.p. no segmento livre (27,8% a.a.) e 0,7 p.p. no direcionado (3,6% a.a.).

Da mesma forma, o Indicador do Custo de Crédito (ICC), que permite avaliar o custo médio considerando o efeito das taxas contratadas, caiu para 20,5% a.a., ante 21,4% no ano anterior. O spread do crédito livre ficou em 31,3% a.a. (-3,0 p.p.). Já no direcionado, ficou em 8,7% a.a. (-0,2 p.p.).

Em 2018, a taxa total de inadimplência (acima de 90 dias) recuou para 2,8% das operações de crédito, menor nível desde janeiro de 2015.

Em relação à carteira com recursos livres, a queda foi ainda mais acentuada, para 3,8% das operações de crédito, menor patamar desde o início da série histórica (março de 2011). Esse resultado reflete a melhora tanto da carteira livre para pessoas físicas (PF) como para pessoas jurídicas (PJ), que registraram taxas de inadimplência de 4,8% e 2,7%, respectivamente, ambas no menor nível histórico.

Já em relação aos recursos direcionados, a inadimplência foi de 1,7% (+0,2 p.p.), decorrente do aumento da inadimplência na carteira PJ para 2% (+0,8 p.p.) Por outro lado, a inadimplência da carteira PF recuou para 1,5% (-0,2 p.p.) em dezembro de 2018, também o menor nível histórico.

Os atrasos (de 15 a 90 dias) também registraram leve declínio: 4,4% para 4,2% da carteira total de crédito, de forma mais expressiva no segmento livre, 3,3% (menor nível desde março de 2011) ante 3,7% no ano anterior. Já no direcionado ficou estável em 5,1%, patamar relativamente elevado para os padrões históricos.

O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro ficou em 42,5% ante 41,2% no ano anterior. Descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento passou de 22,8% para 24,0% em 2018.

Por outro lado, o endividamento imobiliário ficou praticamente estável em 18,6% (ante 18,5% no ano anterior), sugerindo que as famílias ainda estão cautelosas em tomar empréstimos de prazo mais longo, diante do elevado desemprego e da demora para uma recuperação mais consistente da atividade econômica.

Taxa de inadimplência e endividamento

Gráfico de taxa de inadimplência e endividamento
Atraso (entre 15 e 90 dias) – total (%)
Inadimplência (acima de 90 dias) – total (%)
Fonte: Banco Central do Brasil.
A taxa total de
inadimplência (acima
de 90 dias) recuou
para 2,8% das
operações de crédito

A captação de recursos pelas instituições financeiras voltou a crescer em 2018, reflexo da modesta recuperação econômica e do crescimento da renda.

Cabe mencionar que o desempenho entre as modalidades está diretamente relacionado com a rentabilidade que cada uma delas oferece.

Dessa forma, o destaque em 2018 ficou por conta das captações com depósitos a prazo, cujo saldo foi R$ 989,4 bilhões, elevação de 14,6% ante ao ano anterior.

Em seguida, está a caderneta de poupança. Com captação líquida positiva de R$ 38,3 bilhões (melhor resultado desde 2014), o saldo dessa modalidade registrou crescimento de 10% e passou de R$ 724,6 bilhões para R$ 797,3 bilhões em 2018.

Já o saldo de depósitos à vista atingiu R$ 187,2 bilhões, elevação de 6,2% ante o mesmo período do ano anterior.

  • Ícone representando banco da moeda.
    Em 2018, a captação com depósitos a prazo teve elevação de 14% ante o ano anterior

Volume de captações (R$ bilhões)

Gráfico de volume de captações

Segundo o Relatório de estabilidade financeira do Banco Central do Brasil referente ao segundo semestre de 2018, a margem bruta de juros – que representa a diferença entre o retorno da carteira de crédito e títulos e o custo de captação – interrompeu um período de dois anos e meio de taxas negativas de crescimento.

O sistema bancário aumentou o financiamento às empresas não financeiras tanto pela compra de títulos quanto pela retomada do crédito livre.

A margem referente a crédito foi protagonista nos bons resultados apresentados pelos bancos em 2018, com destaques para a ampliação do crédito nos segmentos de produtos com recursos livres e na redução das despesas de provisão para devedores duvidosos (PDD).

Os quatro maiores bancos lucraram juntos R$ 73,2 bilhões, representando alta de 12,77% em relação ao ano anterior.

Em 2018, os spreads de produtos com recursos livres ficaram em 27,8% a.a., queda de 4,1 p.p. A inadimplência recuou para 3,8% (-1,1 p.p.), menor nível da série histórica. A carteira de crédito total obteve crescimento relevante, com alta de 5,5% (11,2% para o segmento livre, com R$ 1,8 trilhão).

Margem de juros

Gráfico de margem de juros

A estabilidade financeira depende da resiliência das instituições para absorver riscos e choques.

Nesse sentido, o sistema bancário apresenta sólidos índices de capitalização e baixa alavancagem, tanto em relação à regulação atual quanto às regras de Basileia III.

O Índice de Basileia (Capital Total) dos bancos brasileiros permaneceu praticamente estável e passou de 18,2% em dezembro do ano anterior para 18,0% em dezembro de 2018, o que confirma a adaptação dos bancos brasileiros aos novos requisitos prudenciais de Basileia III, cujo cronograma se estende até 2022.

No que se refere ao Capital Principal, de maior qualidade, os bancos registraram índice de 13,3% em dezembro de 2018, ante 13,5% em dezembro do ano anterior.

Evolução do Índice de Basileia

Gráfico de evolução do índice de basileiaFonte: Banco Central do Brasil.